Açucena

Açucena

domingo, 18 de novembro de 2012

Galope da menina (Maria Gonçalves)


Vai , menina,  segue os ventos

derrama  os teus lamentos

 nas caudas dos vendavais

Vai,  menina,  deixa as mágoas

No estrondo dos temporais!

Nas margens do riachão

Menina, plante uma rosa

Faça verso, faça prosa

Ponha ritmo na canção...

Vai, menina, joga os desamores

no olho do furacão!

Vai, menina, colhe as flores

E larga os espinhos no chão...

Vai,  menina apaixonada

percorre  essa imensa estrada

  asas a imaginação...

Vai,  menina, que o tempo

cura  qualquer sofrimento

traz  paz para o coração

Vai, menina, segue a estrela

dos filhos de Salomão

Vai, menina,  não foge

encontra o  teu destino

apruma bem o teu tino

corre o mundo de alazão

Vai,  menina,  desmancha

a cara amarrada de tristeza e solidão

Vai,  menina, deixa o riso

espantar todos  abismos

que puserem em tuas mãos

Vai, menina, pega a veia da alegria

manuseia com maestria...

Põe amor na melodia.

canta a vida com emoção...

Vai, menina, põe o laço de fita

mostra como és bonita

dança os sonhos da paixão...

Vai, menina travessa,

a  travessia  atravessa...

 confia na intuição!

 

 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Meus Meninos (Mary Ibanhes)


MEUS MENINOS (Mary Ibanhes)


Venham cá, meninos danados

Venham pra dentro, arrepiados

Deixem os carros passarem...

Brinquem com essa bola

Não corram para o futuro

Não cresçam, meninos amados!

Deixem mamãe lhes acariciar.

Vem cá, menino, moreno,

Vem cá, menino lourinho,

Meus pequenos molequinhos

Deixem mamãe lhes amar!

Meu cachonga branquinho,

Meu bochechudo pretinho,

Meus amores, meus filhinhos

Minha vida a se alumbrar...!!!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

AUSÊNCIAS E DISTÂNCIAS (Mary Ibanhes)

AUSÊNCIAS E DISTÂNCIAS (Mary Ibanhes)
 

Na errância de um  redemoinho

Corrupiei os mundos mais diversos

Hoje vivo entre a prosa e o verso

Cantando, na diáspora, minha infelicidade

Sou matuta e trago na bagagem

Os amores dos entes que deixei

Não sei mais quem eu sou

Nem minha lei

Misturei meus costumes com os do Outro

Vivo entre o mundo e o Sul

Do Mato Grosso

Sou desterra de corpo, mas não de coração

Vivo de ausências e distâncias

Minha sina nessa vida é vagar

Longe sempre de todos que eu amo

Quando eu chego, nunca é para ficar

No reverso da ida está a volta

Na  despedida, trago presa na retina

A imagem de quem amo

Pra memória não apagar

Sou cigana e meu castigo

É a saudade me matar!

 

 

 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

QUERO (Mary Ibanhes)

"Quero você agora pra fazer minha cabeça antes que eu enlouqueça por não te ter aqui... Quero você neste instante pra namorar na rua, olhando as estrelas, beijando o luar... Quero você aqui pertinho, do lado esquerdo do peito, com esse teu jeito de me fazer sorrir... Quero você bem do meu ladinho, bem encaixadinho, fazendo conchinha para eu sonhar e dormir... Quero acordar com teu beijo, o teu calor, o teu cheiro pra me fazer flutuar...E depois, quero um café bem quentinho, te olhar com carinho, te convidar para amar... Quero ouvir tua prosa, teus versos e o teu cantar... Quero toda a felicidade que só você sabe me dá..."

Só sonhei (Mary Ibanhes)



Eu estática

Num canto

Querendo o encanto

Do teu coração

Eu perdida na mente

Ouvia a canção

Na voz do teu canto

Da tua emoção

Eu eternamente

Encantada

Mandava a cantada

Descia a escada

Em tua direção

Beijava teu corpo

Roçava  teu sexo

Comia tua boca

Louca de paixão

Mas era só sonho

Acordei abrasada

De tanto tesão...

Bendita indiscrição!!!

 

 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

JOGO DE ESPELHOS (Mary Ibanhes)

Memória: espelhos rotos
E desconexos sabotam as formas...
Há, em mim, guardados,
Relíquias e escombros

Decalques e sombras -
Caos de sonhos e de dores

Vivências e saudades...
Retratos desbotados e sorrisos amarelos...
Mas, nem por isso, menos sinceros!
Amontoado de imagens..
Hora, calmas, hora, delirantes...
Se, como Funes, pudesse agarrar
Todas as quimeras, todos os instantes...
Se retroagissem todos os teus sorrisos
E carícias, e ardores, e delícias
Tudo de ti passado comigo viesse juntar-se
Ao líquido presente... Tudo de ti
Nunca borrasse no jogo de espelhos
Tudo de ti fosse sempre luz!!!
Memória é parte do que sou.
O resto é esquecimento – mas esse não pode contar...
Ou não sabe capturar o fio da meada – Sei lá...
Que importa! Conjugo você no passado, presente e futuro
Já te prendi longe das armadilhas dos espelhos
Pra sempre – na límpida memória!!!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

domingo, 29 de julho de 2012

Viajante Cantador (By: Mary Ibanhes)

Vai, meu viajante cantador...

Vai leve e em cada jornada

Canta a beleza e o amor...

Leva pra todas as gentes

A voz e a poesia de um sonhador...

Vai, meu viajante amado

Canta por essas estradas

A beleza dos campos, as boiadas

Nas rimas cheias de cor...

Vai que eu fico rezando

Proteção pra Deus implorando

Para livrar-te de toda dor..

Vai, meu cantador viajante

Por colinas verdejantes

Celebra a paz e a vida

Com a harmonia devida

Própria de um cantador...

Vai, meu viajante querido

Que eu quero te ver vestido

De luz, de brilho e fulgor

Eu aqui  fico sonhando

O nosso encontro esperando

Pra te encher de amor...




quarta-feira, 27 de junho de 2012

Rosa do Deserto (à Angela Felipe) By: Mary Ibanhes


 Em mim nasceu uma secura
Gigante
Água faltou em meu olhar
Distante
Sonhos fugidios na areia
Deserta
Meu coração - ferida
Aberta
No Oásis do teu abraço o amor
Morreu
Entre pedras e areia brotam
Flores
Frutos do amor que assim se
Deu...
Pétalas vermelhas minha face
Avivaram
Como sombras no reflexo do
Adeus
Da dor que tu deixastes, me
Livraram
E no deserto mais uma rosa
Nasceu...
Rosa fênix que em magia
Apareceu  
Alegrando o coração no peito
Meu


sábado, 2 de junho de 2012

Aprendiz de sonhos (By: Mary Ibanhes)

Aqui, nesse des-mundo

Fico  na lira mundana

Na arte profana

Mais que insana

Busco mil artifícios

Pra te tornar feliz...

Nenhum sacrifício

Eu juro que eu fiz

Tudo é  fantasia

Muita magia ...

Nas rimas sem metro

Redesenhadas com a ponta do giz

E no quarto sem teto

Vejo  o universo

Na força do verso

De um sonhar aprendiz!












sábado, 19 de maio de 2012

Amor-desAmor-Amor (By Mary Ibanhes)




Amor é quando o coração

Enegrece

Uma dor pungida

Cresce

Um sopro desfolha

A rosa

Deixando a vida

Amargosa

A alegria vira pranto

Des-conta

O teor da prosa

Uma nódoa de tristeza

Afronta a felicidade

Explode a sua grandeza

0 coração perde o caminho

Que era todo florido

Vira espinhos doloridos

A inspiração poética desenreda a 

Fantasia

O verso bem construído

Desarmonia

Proclama, deixando a rima

Profana,

Transborda em fúria

Leviana

Deixa a beleza tão

Feia

Esquece os sonhos do mundo

O ritmo perde o seu

Som

A música esquece o

Tom

A orquestra desafina

Perde a doçura e o

dom

A fada do conto

Enfeitiça

E desmantela o

Encanto

A reza vira em

Catiça

 E mesmo com tanto

Horror

O amor vence

O desamor

Triunfa aos olhos

Do tempo

Sobrevive a todo

Tormento

Tira os espinhos da flor...

O verdadeiro amor

Sobrevive à

Tempestade

Vira um laço de

Saudade

Mas não termina com a

Dor!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Falso Cristal (By: Mary Ibanhes)



O meu jarro de cristal se espatifou...

Os cacos perambulam pelo chão...

O estranho é que vi, só agora,

Num lapso de instante:

O jarro nada tinha de cristal!

O meu olhar enviesado

O tinha promovido

E o meu coração garantido

Sua autenticidade...

Bobo coração,

É isso que dá olhar com teus olhos!

Faço o quê com esse oco despoetizado?

Faço o quê com esse amor que insiste

Em querer vaso quebrado?

Toma vergonha, coração!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

LUA (By: Mary Ibanhes)

Eu – cara de lua

Aluada

Apaixonada

Alumiada

Eu na noite

Enluarada

Enlaçada

No abraço

Do teu laço

Eu – lunática

Enfeitiçada

Por teu beijo

No desejo

Do teu corpo

Ao luar

Eu –  iluminando

A lua cheia

Toda lua

Toda tua

Loba nua

Lá na rua

No encanto

Do teu canto

A delirar...


A CHUVA (By: Mary Ibanhes)


Chuva: gota a gota

 Color – idas – vão:

Azul, rosa, ametista

Verde de todos os tons

Amarela, laranja e vermelha

Cada gota uma cor...

Molha o rosto de Maria

Nas poças, seu  sorriso espelha

E a  magia do amor

Se dá, reflete, se cria!

Chove tanta alegria

No asfalto espelhado

Pinga-respinga- pinga

Guarda-chuvas  embalados

Fazem um  balé surreal

Foge o mundo do real

Pra curtir a fantasia

Os pingos entoam  sons...

E bailam na ventania

Numa festa, em harmonia

Celebram a fina flor  - Poesia!




terça-feira, 1 de maio de 2012

Prenúncio de tempestade


A vida me espreita! Sinto um silêncio que quer me dizer coisas... “Um sussurro sem som onde a gente lembra do que nunca soube”, e talvez de coisas que não queira lembrar ou ouvir. É terrível ser espreitado. Mais terrível é sentir a iminência de algo que está por vir. Eu cantarolo uma canção que fala de flores. As flores podem ser um talismã. Nada deveria afetar os que amam com a alma. Nada deveria tirar a paz dos que colocam o amor acima de tudo.

O dia está quente e pede uma atitude de lagartixa. Uma calma falsa para tudo em minha volta. Um turbilhão de pensamentos povoa minha cabeça em contraste com a paradeira do mundo. Nuvens carregadas denunciam que toda essa lentidão morna, esse estado de imobilidade é passageiro.

Rezo para Santa Bárbara. Quem sabe ela aplaque a tempestade que dentro de mim se instala. Que venha o céu abaixo! Mas, no meu peito, que se faça a calmaria. Que habite em mim aquelas certezas que geram a tranquilidade do coração e da alma! Estou só.

domingo, 29 de abril de 2012

Natureza Morta (By: Mary Ibanhes)

Chora a mata verdejante,
Gotas quentes de orvalho,
Gotas triste, tão tristes...
Olhar nebuloso
Olha o fogo,
Olha a motoserra
Estremece desamparada.
Medo, o homem mata,
O homem trai a vida...
A mata morre!
Não tem freio:
O fogo,
A motoserra.
É horrível morrer assim,
Sem que Deus queira.
Olha o barulho alucinante...
É muito quente, queima, queima...
É sim a motoserra,
O fogo.
Impiedosa, serra, serra.
Tomba mais um imponente
Mogno,
Seringueira, Suas famílias em extinção
Que dor! Ai, ai... Dói...
Dói profundamente
O estalido do fogo!
Escuta a motoserra.
Cai uma, bum... outra,
Tantas e tantas...
O exterminador da vida:
O homem!
As armas:
O fogo,
A motoserra!
Mata impunemente o homem,
Morre impune a verdejante mata.
O homem tosse, tosse...
Seus pulmões sufocam.
Respira carbono.
Louco procura, procura...
Oxigênio!!!

sábado, 28 de abril de 2012

O Circo (By: Mary Ibanhes)

O Circo (By: Mary Ibanhes)

Papai me levava ao circo
Eu me coloria de cores de:
Palhaços, malabaristas,
Equilibristas e domadores
Domadora eu sonhei um dia ser
Para domar as feras dentro de mim.
Não domei nada. Sou um animal selvagem!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Às vezes...

"Às vezes, eu choro olhando estrelas e bebendo a luz do luar. Às vezes, eu choro admirando o arco-íris e a íris do teu olhar. Às vezes, eu choro lendo versos e desenhando roseirais... Às vezes, eu choro dançando uma valsa ou escutando madrigais...Às vezes, eu choro com o sorriso de uma criança, lembrando a minha infância e 'os tempos que não voltam mais...'"

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Medidas de Concentração (By: Mary Ibanhes)

Solução diluída
Eu concentrada
Teu corpo soluto
Medido em gramas
Meu corpo solvente
Tua boca envolvente
Solução ardente
Meu ventre...

domingo, 15 de abril de 2012

Barco de borboletas (By: Mary Ibanhes)

As velas do meu barco

São de asas de borboletas

São coloridas: rosas, verdes

Azuis, vermelhas e violetas...

E provocam sonhos ao vento

Eu navego sem contratempo

É mágico meu navegar

Nas  ondas vou viajar

 Teu  coração alcançar...

Tua doce boca beijar

Depois, te levo  para o  mar

Amar, amar, amar

O meu barco está

Cheio de borboletas!!!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Divisão das águas (By: Mary Ibanhes)

No liquído instante,

A solidão me abraçou

Eu e  minha alma.

O   meu coração sangrou

Vertiginosamente em lágrimas

As mágoas pularam

Eram lambaris doentes

Mas velozes

Eram só eu e o mundo

E aquele rio sem fim

Borbotando tristeza

Na distância entre as margens!

À margem direita,

Estavam tu e teus olhos

Direcionados para  cacimbas

Mortas, no teu desejo de as ressuscitar

À margem esquerda,

Estavam eu e o abismo

Das corredeiras que miravam

A minha ausência

Do teu olhar

Não havia caminhos

Para mim...

Mas o mar estava logo adiante...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

IMAgem

Tua presença, num movimento duplo da memória,

reverbera - imagem fotográfica e voz digital

materializadas –  As ruínas do meu ser se reconstroem

e as sangrentas dores se desfazem – Dos olhos dissipam-se

todos os sinais de nostalgias – é como se primavera fosse,

esparramando cores e perfumes por todo o universo...

Tua presença, tua voz e teu olhar me absorvem – O olhar

- onde aprisionastes toda minha existência – Lá, fiz minha morada

e em ti amalgamei meu corpo, em  tua alma soprei minha essência...

Naquele instante, soube que eu não mais me pertencia – viveria sem ti,

mas seria como o “homem oco” – o coração empalhado

No olhar – nem brilho, nem ópio!

Nem a poesia, nem a música, nem a morte, nem a eternidade

esmaecem tua presença – “Eis que assisto a meu desmonte face a face e não me aflijo”,

porque cada fragmento de mim encontra-se na porosidade de tua pele, independente de
 tua vontade ou da minha - É o tempo que fia essa história , “visando alvos imortais”!!!

  By: Mary Ibanhes