Açucena

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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Sobre Dores e Feridas (Maria Gonçalves Ibanhes)

          
Não sei qual é a ferida
Que no meu peito aberta
Deixa minha alma sentida
E os meus sentidos alerta
Deixa os meus olhos tristonhos
Desbota até os meus sonhos
E denunciam aos ventos
Minhas razões encobertas
Talvez seja a ferida mais braba
Que lateja, dói, sangra a alma
A que arrancou pedaços de mim
E que corta, embrutece, não se apaga
Virou uma velha chaga sem fim
Mas à revelia da sorte
Tento sempre me alegrar
Não deixo as dores me levar
Faço festas, dou pinotes
Busco meu prumo, meu norte
Fujo do que está posto
Pra vida não pago imposto
Por isso
Quem minha verdade enxergar
Nem pense em se espantar
Com tudo o que já sofri
Com as voltas que o Mundo dá

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