O furor da dor
De ter um filho morto!!!
A avalanche:
Dor Imensurável
Dor Impensável
Dor Incompreensível
A dor maior
Aquela que desatina
Que faz perder o rumo
O norte
O sentido da vida
A dor mais cruel
Mais fortemente dolorida
A dor mais cruelmente
Amalgamada no rosto de uma mulher
Eu vi! De perto
Por duas vezes, aquela dor palpável
Eu tive medo
Eu tive pena
Era impossível medi-la
Mas ela estava lá
Gritando
Naquele rosto
Naquela que estava partida
Visivelmente despedaçada
Eu vi! E só de lembrar
Da face da dor
Eu estremeço, me dói o peito!!!
Deus não devia permitir
Eu nunca mais quero sentir
A dor das outras
Aquela dor tão transparente
Tão violenta, que transborda
E respinga em cada uma de nós que somos mães
A dor daquela
Que teve o filho morto nos braços
A dor daquela que, pra sempre, viverá em pedaços
A dor daquela que traz um deserto no coração
E muitos espinhos dilacerando sua alma
Pra sempre!
Eu nunca mais quero ver!
Nem eu, nem Picasso
Nenhum artista, nenhum poeta
Nenhum deus
Nada, ninguém pode dimensionar
A dor da mãe que teve o filho morto
Ninguém!

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