Açucena

Açucena

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Meus Meninos (Mary Ibanhes)


MEUS MENINOS (Mary Ibanhes)


Venham cá, meninos danados

Venham pra dentro, arrepiados

Deixem os carros passarem...

Brinquem com essa bola

Não corram para o futuro

Não cresçam, meninos amados!

Deixem mamãe lhes acariciar.

Vem cá, menino, moreno,

Vem cá, menino lourinho,

Meus pequenos molequinhos

Deixem mamãe lhes amar!

Meu cachonga branquinho,

Meu bochechudo pretinho,

Meus amores, meus filhinhos

Minha vida a se alumbrar...!!!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

AUSÊNCIAS E DISTÂNCIAS (Mary Ibanhes)

AUSÊNCIAS E DISTÂNCIAS (Mary Ibanhes)
 

Na errância de um  redemoinho

Corrupiei os mundos mais diversos

Hoje vivo entre a prosa e o verso

Cantando, na diáspora, minha infelicidade

Sou matuta e trago na bagagem

Os amores dos entes que deixei

Não sei mais quem eu sou

Nem minha lei

Misturei meus costumes com os do Outro

Vivo entre o mundo e o Sul

Do Mato Grosso

Sou desterra de corpo, mas não de coração

Vivo de ausências e distâncias

Minha sina nessa vida é vagar

Longe sempre de todos que eu amo

Quando eu chego, nunca é para ficar

No reverso da ida está a volta

Na  despedida, trago presa na retina

A imagem de quem amo

Pra memória não apagar

Sou cigana e meu castigo

É a saudade me matar!

 

 

 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

QUERO (Mary Ibanhes)

"Quero você agora pra fazer minha cabeça antes que eu enlouqueça por não te ter aqui... Quero você neste instante pra namorar na rua, olhando as estrelas, beijando o luar... Quero você aqui pertinho, do lado esquerdo do peito, com esse teu jeito de me fazer sorrir... Quero você bem do meu ladinho, bem encaixadinho, fazendo conchinha para eu sonhar e dormir... Quero acordar com teu beijo, o teu calor, o teu cheiro pra me fazer flutuar...E depois, quero um café bem quentinho, te olhar com carinho, te convidar para amar... Quero ouvir tua prosa, teus versos e o teu cantar... Quero toda a felicidade que só você sabe me dá..."

Só sonhei (Mary Ibanhes)



Eu estática

Num canto

Querendo o encanto

Do teu coração

Eu perdida na mente

Ouvia a canção

Na voz do teu canto

Da tua emoção

Eu eternamente

Encantada

Mandava a cantada

Descia a escada

Em tua direção

Beijava teu corpo

Roçava  teu sexo

Comia tua boca

Louca de paixão

Mas era só sonho

Acordei abrasada

De tanto tesão...

Bendita indiscrição!!!

 

 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

JOGO DE ESPELHOS (Mary Ibanhes)

Memória: espelhos rotos
E desconexos sabotam as formas...
Há, em mim, guardados,
Relíquias e escombros

Decalques e sombras -
Caos de sonhos e de dores

Vivências e saudades...
Retratos desbotados e sorrisos amarelos...
Mas, nem por isso, menos sinceros!
Amontoado de imagens..
Hora, calmas, hora, delirantes...
Se, como Funes, pudesse agarrar
Todas as quimeras, todos os instantes...
Se retroagissem todos os teus sorrisos
E carícias, e ardores, e delícias
Tudo de ti passado comigo viesse juntar-se
Ao líquido presente... Tudo de ti
Nunca borrasse no jogo de espelhos
Tudo de ti fosse sempre luz!!!
Memória é parte do que sou.
O resto é esquecimento – mas esse não pode contar...
Ou não sabe capturar o fio da meada – Sei lá...
Que importa! Conjugo você no passado, presente e futuro
Já te prendi longe das armadilhas dos espelhos
Pra sempre – na límpida memória!!!