Açucena

Açucena

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Divisão das águas (By: Mary Ibanhes)

No liquído instante,

A solidão me abraçou

Eu e  minha alma.

O   meu coração sangrou

Vertiginosamente em lágrimas

As mágoas pularam

Eram lambaris doentes

Mas velozes

Eram só eu e o mundo

E aquele rio sem fim

Borbotando tristeza

Na distância entre as margens!

À margem direita,

Estavam tu e teus olhos

Direcionados para  cacimbas

Mortas, no teu desejo de as ressuscitar

À margem esquerda,

Estavam eu e o abismo

Das corredeiras que miravam

A minha ausência

Do teu olhar

Não havia caminhos

Para mim...

Mas o mar estava logo adiante...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

IMAgem

Tua presença, num movimento duplo da memória,

reverbera - imagem fotográfica e voz digital

materializadas –  As ruínas do meu ser se reconstroem

e as sangrentas dores se desfazem – Dos olhos dissipam-se

todos os sinais de nostalgias – é como se primavera fosse,

esparramando cores e perfumes por todo o universo...

Tua presença, tua voz e teu olhar me absorvem – O olhar

- onde aprisionastes toda minha existência – Lá, fiz minha morada

e em ti amalgamei meu corpo, em  tua alma soprei minha essência...

Naquele instante, soube que eu não mais me pertencia – viveria sem ti,

mas seria como o “homem oco” – o coração empalhado

No olhar – nem brilho, nem ópio!

Nem a poesia, nem a música, nem a morte, nem a eternidade

esmaecem tua presença – “Eis que assisto a meu desmonte face a face e não me aflijo”,

porque cada fragmento de mim encontra-se na porosidade de tua pele, independente de
 tua vontade ou da minha - É o tempo que fia essa história , “visando alvos imortais”!!!

  By: Mary Ibanhes

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Noite Nua

Noite fechada!
Eu daria uma lua
e algumas estrelas somente
por aquele teu olhar...
Aquele devorador de desejos
Quando viro flor e chuva e diamantes...
E meu olhar engole o teu...
Noite nua!
Somos só olhos e canção!

By: Maria de Lourdes Gonçalves de Ibanhes

Pirilampo


Passou o dia sem poesia!
Eu deixei os versos em branco...
Dor ilimitada não se inscreve...
Mas a alegria pirilampeia verdeflorescente
Na mata dos meus olhos...
Ser feliz é uma LEI!!!

By Maria de Lourdes G. de Ibanhes
Cirandeira


Quis te fazer uma ciranda

Naveguei pelo rio Miranda

Somente pra te abraçar...

Num rodopio cirandeiro

Assoprei meu candieiro

Pra teus olhos não me verem corar

Nas margem te saldei

Meu coração te entreguei

No balanço dos teus braços

Virei sereia somente pra te amar...

Tua boca meus lábios sorveu

Na minha pele senti entrar o cheiro teu

No emaranhado dessa dança

Que já não é mais ciranda

Vira um balanço, vira um rio e vai pro mar

Porque ciranda não rima com rio

Faz acrobacias e corropio

Doidinha pra ri-mar com mar

Vem, meu benzinho, me amar

No mar, no mar... (Mary Ibanhes)
06:52:00de Mary Ibanhes

Conclusão em Só maior

Não digo mais de mim
Do que o silêncio
Que dizem meus olhos
Num esfacelamento que se fez minha morada
Vivo
Já não tenho pranto e a vida me evita
Fazer vivaz
Me pertubo de loucuras e lembranças
Para mim  restou:
O sol maior da solidão latente
O amor nada mais diz de:
Sol lá si dó
O ré é meu retorno
Ao que que sempre fui
E continuo ser: só...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O sertão em mim...

"Sertão é o sozinho... O Sertão é sem lugar... O sertão é dentro da gente..." (G. Rosa). Eu estou tão sertão hoje, pra dentro, nos confins, matutando as travessias... Estou no meio dos chapadões, abispando as macambiras e olhando o azul ofuscante... Eu quase pastoreio os silêncios - todos os silêncios... Minha alma é sertão - jagunceia horizontes, mata tristezas e quer impor sua lei...