Açucena

Açucena

sábado, 16 de julho de 2011

Um poema de amor

Louca, louca sim, porque fiz do amor minha maior riqueza...
E nada importa mais que o profundo brilho dos teus olhos
Onde tento refletir a intensidade do amor que sinto
Na tua presença, sou névoa dissolvida em mil langores
Sou sonho que não te quer saudade
Sou "redemoinho de sol" que te aquece o frio...
Quando longe, entre nossos olhares que se cruzam
Passa uma longa estrada, mas entre mim e o que penso
Há bandeiras coloridas que anunciam tua chegada
Quando chegas é sempre primavera em meus olhos fechados
Poesia luzente num toque que me acorda de tua espera
Lá fora, rios, pássaros e sóis festejam esse encontro
E nada há no mundo de triste ou de só
Porque teu gesto toca em todas as minhas sinfonias
E o meu ritmo cavalga junto ao teu, noite adentro
Iluminando as trevas de qualquer dor
Porque nos teus lábios entrego minha alma...
Mas sem querer saber de nós a manhã desce...
Dizendo que as horas não esperam...
Mas não importa, porque somos a mais linda metáfora de amor
Eternizada no livro da vida, onde a história sempre principia
E eu sei que logo te encontrarei na próxima página...

sábado, 7 de maio de 2011

A João Cabral de Melo Neto


Eu vi um homem
Que era pedra,
Que era cana,
Que era rio

Eu vi um rio
Cheio de pedra
Que olhava o homem
Que aguava
Como a cana
Cheia de água
Mais que o rio

Eu vi uma pedra
Que refletia a luz do sol
E desejava água no rio
Porque o homem
Chupava a cana
Que respingava
Água na pedra
Água no rio

Eu vi a cana
Que derretia na
Boca do homem
Que parecia
Ter uma pedra no coração
E no seu caminho

Mas esse homem
Não era pedra
Não era cana
Não era rio
Era a canção dessa emoção
Que traz a pedra, a cana e o rio.


                By: Mary Ibanhes

Tragada pelo “vulcão”

Tragada pelo “vulcão”



A melancolia do vulcão, um romance de Edgar Cézar Nolasco, lançado em Campo Grande,  dia 21 Junho de 2006, na Morada dos Baís. È um título que me deixou intrigada, principalmente porque toda vez que vou me referir a ele, num recorrente ato falho, falo a fúria do vulcão.
            Esse ato falho, talvez, ocorra devido à forte impressão que me causou a obra, pois fui tragada por ela, completamente, em uma tarde de domingo, ou seja, eu me abismei na fúria desse vulcão onde tudo que sobrou foi a melancolia e a certeza de que “a vida é mesmo inexorável”.
            Piglia diz, em sua obra Três propostas para o próximo milênio, que “la literatura muestra que hay acontecimentos que son muy difíceles, casi imposibles de transmitir y suponen uma relación nueva com los limites del lenguaje”.  Nolasco, ao travar um diálogo com vozes como as de Virgínia Woolf e Clarice Lispector, inscreve o limite de sua própria escritura, tal como as escritoras que sempre escreveram num limite.
            Seus personagens narradores vivem no limite da vida tentando narrar a morte, cada um a sua maneira. A polifonia de vozes tentando narrar o inenarrável, o que só tornou-se possível, diante dessa relação limítrofe que o escritor engendrou com a linguagem, como sugere Piglia.
            O texto em si é abismal, tanto por sua metalinguagem e diálogos com vozes outras da tradição literária, como pela escorregadia mudança de narradores, a vida é mesmo um grande deslize no tobogã que leva, inevitavelmente,  à morte, cedo ou tarde. Isso é terrível, mas é a única verdade, a única certeza, o resto, como acredita Minta, “são só desejos”, são eles que nos alimentam e nos fazem seguir até morrer.
            Foi assim que fui devorada pelo emaranhado de vozes que jorram perigosas lavas e trazem consigo a representação da perda, da morte e da dor. Vi-me ali, diante do abismo, pois parece que cada página do livro espelha a dor que sentimos frente à perdas irreparáveis, pois ela, a dor, essa mesma inominável, está lá, impressa em cada lava desse vulcão, assim como perpassa a alma e, sem que queiramos, deforma os nossos rostos. Nolan, o personagem escritor, tem razão, “a morte envelhece as pessoas”. É assim que nos sentimos diante de uma perda, velhos, marcados. Eu nunca tinha lido nada que traduzisse tão bem esse estado, como A melancolia do vulcão. É preciso, apenas estar alerta para não sucumbir ao abismo total da narrativa múltipla que me parece tão traiçoeira como a própria morte que narra.





                      Por: Maria de Lourdes G. de Ibanhes  (Mary Ibanhes)       

domingo, 9 de janeiro de 2011

Amy‘s Tribute

Alva era a manhã
Em que te fostes
Carregada de mágoas
Não sei de quê ou de quem...
Lágrimas secam em teu rosto
Denunciam teu desgosto
Biografia em fosco
Saída do olho do furacão
Tem absinto, tem cocaína...
Tem tristeza e tem canção
Amy, ainda há tempo
De voltar atrás
Deixa no rastro do vento
Nas marcas do teu talento
Hendrix, Morrison, Joplin e Cobain...
Leva na letra e na música
O som e o exemplo
De outros também
Se na levada da vida
Misturar é uma saída
Pro teu ritmo abrilhantar
Pega o Jazz e o Hip-hop
O Black e também o Rock
Mas não te deixa levar...
Pela sina dos que foram...
Não trapaceias com a sorte
Não faz teu destino a morte
Ainda há tempo de voltar!
Amy, come back
Amy, come back
Há muito mais de cem nights
Muito mais de cem days
Um jardim nos Mays
Sorrirá para ti
E all’ll brigth
Eu sei que eu não sou Deus
Mas não quero o teu adeus!
Amy, come back!
Amy, come back!

By: Mary Ibanhes


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sinfonia para sonhar

Quando sonho com você
A manhã me resplandece
O dia fica  mais lindo
O sol ligeiro me aquece
Eu viro um passarinho
E saio cantando um hino
De amor que nunca fenece
Ah se você me ouvisse
Criasse asas e partisse
Para ver o meu sorriso
Que quer beijar sua face
E morrer nos lábios seus
Quando eu sonho com você
Me transformo em bailarina
Faço passos em serpentina
E flutuo no prazer
De ver teu rosto querido
Sorrindo só por me ver...
Ah se você se lembrasse
Que a vida é um sopro tênue
Uma brisa passageira
Que vem numa carícia  ligeira
E passa sem esperar
Você viria faceiro
Fazer o meu corpo inteiro
No seu corpo acalmar
Quando eu sonho com você
Eu viro a dona do mundo
Faço mágicas num segundo
Para a vida alegrar
Dou cambalhotas nas nuvens
Faço um pas-de-deux com vento
Dou voltas num furacão
Depois peço a benção
Dos deuses pra te amar!
Ah se você também sonhasse
Num cometa me buscasse
Para  numa dança alada
Voarmos pelas estradas
Do mundo sem dimensão
Fazendo um ninho na mata
Juntando-nos a passarada
Em sinfônica  serenata
Com a nossa inspiração!
By: Maria de Lourdes G. de Ibanhes (Mary Ibanhes)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Continuos Navegar

Navegante da vida
Fazendo corrida
Contra a maré
Não sei se enjôo
Se passo batida
Nas ondas do mar
Nas travas da vida
Ou tomo um café
E esqueço as feridas
Da alma do povo
Dos restos da vida
Se dou um mergulho
Buscando saída
Ou despreocupada
Nem ligo pra sina
Dessa minha jornada
Fazendo pirraça
Sorrindo pra vida
Ou Faço uma trapaça
Pro moço bonito
 De barba fechada
De olhar profundo
E ponho em seu colo
Meu amor fecundo
Se ele já sabe
Que o doce que quero
É seu beijo gostoso
E seu abraço sincero
Nessa minha vida
A sina que eu quero
É amar sem mistério
Esquecendo os desgostos
E vivendo o que é belo...
E dessa maneira o mar não me engole
Porque no meu bote
Eu sei navegar
Festejando a vida
Amando o luar
Abraçando o sol
E bebendo o olhar
Do homem que amo
E não posso negar!

"Amar não é preciso"
Mas eu insisto!
Navegar é  um risco
E eu não vivo sem  amar

Mary Ibanhes

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Um encontro com papai em Buenos Aires

Estive em Buenos Aires, em novembro, por uns dez dias. Gostei muito da cidade. Posso dizer que é uma bela metrópole! Visitei todos os lugares óbvios para uma visitante de primeira viagem. Muito me impressionou a politização de sua gente.
Esclareço que a finalidade dessa viagem foi muito mais acadêmica do que turística. Fui apresentar uma comunicação em um congresso de literatura, na UBA. Se não fosse o tal congresso, provavelmente, eu não teria ido até lá.
Quando cheguei à universidade, fiquei pasma com a quantidade de faixas e cartazes com reivindicações, protestos e até alguns apoios políticos - É, o argentino briga pelo que quer e pelo que acredita. Nós somos muito menos do que eles, nesse sentido. A quantidade imensa de faixas e cartazes chegam a causar uma certa poluição visual, tornando o ambiente parecido com um barracão onde se produz esse tipo de material.
De todos os lugares que visitei, Recoleta, Rua Florida, Puerto Madero, Casa Rozada, Café Tortoni, La Boca etc, o lugar que mais amei foi La Boca com sua alegria colorida - Bairro cheio de gente, música, bailarinos de tango, e gaúchos, sapateando com suas bobachas e seus cabelos compridos. Sem contar, os sósias do Maradona que estavam por toda parte. Sim, existe nesse lugar uma alegria vibrante! Talvez, a arquitetura coloridíssima de suas casas contribuam para nos proprcionar essa sensação gostosa de estarmos num circo cheio de magia e cores...
Porém, tem um outro lugar que me despertou uma espécie de lembrança olfativa. O "Casino Puerto Madero". É interessante porque eu tinha amanhecido louca para visitar o porto e, claro, o cassino - Tenho fascinação por portos, não sei porquê. Eu estava adorando o passeio e não via a hora de visitar o cassino. Parecia que meu foco, muito mais do que os museus e o porto, era ele.
Meus companheiros de passeio pareciam não estar muito interessados em visitar o cassino. Tudo corria bem. Visatamos os museus, caminhamos muito a pé. Almoçamos num charmoso restaurante à margem do rio - O Campo de  La Fiore. A região do porto é linda. Como eu afirmei antes, tudo estava bem, se não fosse professor Paulo passar mal. Parece que algo não queria que eu chegasse até o cassino. Puxa, faltava tão pouco. Fiquei desolada! Mas não podíamos largar nosso companheiro num táxi, passando mal, sozinho!
Decidimos que voltaríamos todos juntos para o hotel. Foi o que fizemos. Deixamos professor Paulo lá e voltamos para o porto, muito mais por um querer meu do que dos outros. Finalmente, eu estava diante do cassino - Enorme, imponente diante de mim.
 Entramos no "sempre noite" do ambiente, apesar de ser dia. Ao entrar, um sentimento de familiaridade tomou conta de mim. Eu vi uma menina pequena e frágil, vestida de algodão florido, com os pés no chão e o rostinho angelical, buscando em cada rosto aquele seu tão querido e familiar, o do seu pai. O cheiro de cassino, de casa de jogo é o mesmo em qualquer lugar do mundo. Esse cheiro invadiu minha memória, minha alma e me levou a um passado longínquo - Era eu aquela menina que entrava nas casas de jogos para buscar o seu pai - Era eu que ficava vendo as roletas e as montanhas de fichas ou as mesas de cartiado, cheias de homens fumando, esperando  a partida acabar para levar o meu pai. Eu até podia ouvir as vozes dizendo para o meu pai: Miguel, tira essa menina daqui!
Quantas vezes eu fui atrás do meu pai... Eu tinha um amor imenso por ele. Eu o aceitava com o seu vício, mas eu o queria perto de mim. Tenho esse péssimo defeito de querer todos que eu amo sempre por perto. No entanto, a vida tem sido ingrata comigo, nesse aspecto. Ela cuida de me deixar afastada das pessoas amadas. Eu sempre vivo "a falta", a distância! Mas como eu estava dizendo, foram tantas as vezes que fui buscar meu pai no jogo. Lembro de uma vez que peguei todo o dinheiro que estava sobre a mesa e sai correndo... Meu pai teve que sair atrás de mim para pegar o dinheiro de volta - Eu não queria o dinheiro - Queria meu pai!
Aquele cheiro me levou ao passado. Eu me perdi naquele labirinto de salas, roletas, máquinas caça níqueis... Dentro do cassino ou casa de jogo é sempre escuro. Eu estava perdida e procurava pelo meu velho pai - A sensação era estranha. Senti uma saudade absurda dele! Sua presença era forte alí. Em que parte daquele quebra-cabeça ele estava? As lágrimas molharam meu rosto e se não me encontrassem, provavelmente, eu teria ficado naquela "eterna noite", procurando meu pai!