Açucena

Açucena

sábado, 30 de novembro de 2013

Voo pro nada (Maria Ibanhes)


Deixa, deixa-me passarinhar
Perdida nas nuvens
Lugar de poeta é bem longe do chão
Tenho pés flutuantes e asas
No coração
Fujo da feiura do mundo
E faço bordados com a imaginação
Deixa, deixa-me escavar a terra
Suspensa por teias e desminhocar
O bonito enterrado no solo
Meus voares têm acompanhamento de borboletas
E tocam o infinito
Mas, no mar, também dou minhas rasantes
Troco canções com peixes
Cinzas e coloridos
Se você quiser, tente ser passarinho
E vamos desbravar os deslimites do nada!
Eu tenho coleções de asas para voar... 



 Mulher Pássaro. Fabelo - Desenho. Nanquim sobre papel ([s.d.

sábado, 2 de novembro de 2013

Solidão (Mary Ibanhes)


Ele lá, eu aqui
E a vida voa
Ele e eu à toa
Invés de estarmos ali
Aqui, lá
Ou acolá...
JUNTOS!

domingo, 27 de outubro de 2013

Pensamento beija-flor (By Mary Ibanhes)

 A floresta verdinha corria pela janela
Misturando o verde dela
No meu olhar oliva outonal
Meu pensamento passarinheiro
Te trazia
Num resgate bem ligeiro
E fazia
Do mundo inteiro
Uma clareira em festa
Saudava os deuses da floresta
E pedia permissão
Pra viver o nosso amor
A la Eva e Adão...
Um eterno paraíso, no paraíso, no paraíso...

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Querubim no deserto (By: Mary Ibanhes)


Antes da aridez desse deserto
Que me devora
Eu me componho em versos
Duros, como  o ferro,  e brancos
Como a página em branco que desafia
A abstinência do poeta e o conduz ao
Labirinto infinito de sua loucura.
Eu que sou quase nômade
Nesta solidão pirografada 
Em meu corpo.
Mas em meu coração existe um oásis
Onde vive minha natureza felina
Nem sempre feroz
Tantas vezes querubina.


Poster de Zazzle



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Des-primaverou... (By Mary Ibanhes)

Des-primaverou... (By Mary Ibanhes)          

Nada tinha graça, naquela manhã ensolarada e quase primaveril!
Logo eu que tanto amo a primavera... O mundo parecia escuro.
Ou era meu coração comprimido que a tudo me fazia enxergar cinza e triste...
E eu tropeçava nas lágrimas, andando rapidamente – Queria fugir!
Queria ter poderes divinais e fazer  milagres instantâneos!
Trocaria minha estação preferida e todas as minhas alegrias por tua felicidade.
Eu estava só e impotente! Se o amor tudo salvasse... Dizem que salva!
Esta é minha esperança! Mas enquanto o milagre não se derrama,
A dor perpassa as entrelinhas... Enxergue-a quem puder suportar.
E eu preciso transformar o inverno em primavera – Eis minha missão!


sábado, 24 de agosto de 2013

Solo pro meu amor (By: Mary Ibanhes, do livro "Cor-de-rosa e Carmim", de 2002)


Solo fértil fertiliza
Almas e corações
Em botões, em frutas
Palmares em doces
Estradas de amor
Respiro fundo, retrato
De amor alado
Renasço no olhos
Do meu amor
Rebusco raízes no
Solo, no colo
E choro. Recordo
Abraços nos laços
Nos lençóis, riacho
Que escoa buscando
Você. Re-nado
No rio, no lago
O solo, o riacho
As rosas, as frutas
Me lembram você, Renato.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

POR ACASO


O acaso do acaso
Somo nós
Que por acaso
Nos entregamos
Porque você olhou
Por acaso
E por acaso
Meu olhar encontrou o teu
E faíscas saltitaram vermelhas
Num vai-evem de cores magnéticas
Sem saída.
O fatal acaso foi inevitável
Teus olhos bandidos
Sequestraram os meus
Carentes
Medrosos
Aflitos.
Foi em acaso louco
Que por acaso
Virou caso de amor...
Não foges de ti, de mim
Faz de conta que queres
Pois nós somos o acaso do nosso caso. 

By: Mary Ibanhes