Açucena

Açucena

sábado, 19 de maio de 2012

Amor-desAmor-Amor (By Mary Ibanhes)




Amor é quando o coração

Enegrece

Uma dor pungida

Cresce

Um sopro desfolha

A rosa

Deixando a vida

Amargosa

A alegria vira pranto

Des-conta

O teor da prosa

Uma nódoa de tristeza

Afronta a felicidade

Explode a sua grandeza

0 coração perde o caminho

Que era todo florido

Vira espinhos doloridos

A inspiração poética desenreda a 

Fantasia

O verso bem construído

Desarmonia

Proclama, deixando a rima

Profana,

Transborda em fúria

Leviana

Deixa a beleza tão

Feia

Esquece os sonhos do mundo

O ritmo perde o seu

Som

A música esquece o

Tom

A orquestra desafina

Perde a doçura e o

dom

A fada do conto

Enfeitiça

E desmantela o

Encanto

A reza vira em

Catiça

 E mesmo com tanto

Horror

O amor vence

O desamor

Triunfa aos olhos

Do tempo

Sobrevive a todo

Tormento

Tira os espinhos da flor...

O verdadeiro amor

Sobrevive à

Tempestade

Vira um laço de

Saudade

Mas não termina com a

Dor!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Falso Cristal (By: Mary Ibanhes)



O meu jarro de cristal se espatifou...

Os cacos perambulam pelo chão...

O estranho é que vi, só agora,

Num lapso de instante:

O jarro nada tinha de cristal!

O meu olhar enviesado

O tinha promovido

E o meu coração garantido

Sua autenticidade...

Bobo coração,

É isso que dá olhar com teus olhos!

Faço o quê com esse oco despoetizado?

Faço o quê com esse amor que insiste

Em querer vaso quebrado?

Toma vergonha, coração!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

LUA (By: Mary Ibanhes)

Eu – cara de lua

Aluada

Apaixonada

Alumiada

Eu na noite

Enluarada

Enlaçada

No abraço

Do teu laço

Eu – lunática

Enfeitiçada

Por teu beijo

No desejo

Do teu corpo

Ao luar

Eu –  iluminando

A lua cheia

Toda lua

Toda tua

Loba nua

Lá na rua

No encanto

Do teu canto

A delirar...


A CHUVA (By: Mary Ibanhes)


Chuva: gota a gota

 Color – idas – vão:

Azul, rosa, ametista

Verde de todos os tons

Amarela, laranja e vermelha

Cada gota uma cor...

Molha o rosto de Maria

Nas poças, seu  sorriso espelha

E a  magia do amor

Se dá, reflete, se cria!

Chove tanta alegria

No asfalto espelhado

Pinga-respinga- pinga

Guarda-chuvas  embalados

Fazem um  balé surreal

Foge o mundo do real

Pra curtir a fantasia

Os pingos entoam  sons...

E bailam na ventania

Numa festa, em harmonia

Celebram a fina flor  - Poesia!




terça-feira, 1 de maio de 2012

Prenúncio de tempestade


A vida me espreita! Sinto um silêncio que quer me dizer coisas... “Um sussurro sem som onde a gente lembra do que nunca soube”, e talvez de coisas que não queira lembrar ou ouvir. É terrível ser espreitado. Mais terrível é sentir a iminência de algo que está por vir. Eu cantarolo uma canção que fala de flores. As flores podem ser um talismã. Nada deveria afetar os que amam com a alma. Nada deveria tirar a paz dos que colocam o amor acima de tudo.

O dia está quente e pede uma atitude de lagartixa. Uma calma falsa para tudo em minha volta. Um turbilhão de pensamentos povoa minha cabeça em contraste com a paradeira do mundo. Nuvens carregadas denunciam que toda essa lentidão morna, esse estado de imobilidade é passageiro.

Rezo para Santa Bárbara. Quem sabe ela aplaque a tempestade que dentro de mim se instala. Que venha o céu abaixo! Mas, no meu peito, que se faça a calmaria. Que habite em mim aquelas certezas que geram a tranquilidade do coração e da alma! Estou só.

domingo, 29 de abril de 2012

Natureza Morta (By: Mary Ibanhes)

Chora a mata verdejante,
Gotas quentes de orvalho,
Gotas triste, tão tristes...
Olhar nebuloso
Olha o fogo,
Olha a motoserra
Estremece desamparada.
Medo, o homem mata,
O homem trai a vida...
A mata morre!
Não tem freio:
O fogo,
A motoserra.
É horrível morrer assim,
Sem que Deus queira.
Olha o barulho alucinante...
É muito quente, queima, queima...
É sim a motoserra,
O fogo.
Impiedosa, serra, serra.
Tomba mais um imponente
Mogno,
Seringueira, Suas famílias em extinção
Que dor! Ai, ai... Dói...
Dói profundamente
O estalido do fogo!
Escuta a motoserra.
Cai uma, bum... outra,
Tantas e tantas...
O exterminador da vida:
O homem!
As armas:
O fogo,
A motoserra!
Mata impunemente o homem,
Morre impune a verdejante mata.
O homem tosse, tosse...
Seus pulmões sufocam.
Respira carbono.
Louco procura, procura...
Oxigênio!!!

sábado, 28 de abril de 2012

O Circo (By: Mary Ibanhes)

O Circo (By: Mary Ibanhes)

Papai me levava ao circo
Eu me coloria de cores de:
Palhaços, malabaristas,
Equilibristas e domadores
Domadora eu sonhei um dia ser
Para domar as feras dentro de mim.
Não domei nada. Sou um animal selvagem!