Açucena

Açucena

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Falso Cristal (By: Mary Ibanhes)



O meu jarro de cristal se espatifou...

Os cacos perambulam pelo chão...

O estranho é que vi, só agora,

Num lapso de instante:

O jarro nada tinha de cristal!

O meu olhar enviesado

O tinha promovido

E o meu coração garantido

Sua autenticidade...

Bobo coração,

É isso que dá olhar com teus olhos!

Faço o quê com esse oco despoetizado?

Faço o quê com esse amor que insiste

Em querer vaso quebrado?

Toma vergonha, coração!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

LUA (By: Mary Ibanhes)

Eu – cara de lua

Aluada

Apaixonada

Alumiada

Eu na noite

Enluarada

Enlaçada

No abraço

Do teu laço

Eu – lunática

Enfeitiçada

Por teu beijo

No desejo

Do teu corpo

Ao luar

Eu –  iluminando

A lua cheia

Toda lua

Toda tua

Loba nua

Lá na rua

No encanto

Do teu canto

A delirar...


A CHUVA (By: Mary Ibanhes)


Chuva: gota a gota

 Color – idas – vão:

Azul, rosa, ametista

Verde de todos os tons

Amarela, laranja e vermelha

Cada gota uma cor...

Molha o rosto de Maria

Nas poças, seu  sorriso espelha

E a  magia do amor

Se dá, reflete, se cria!

Chove tanta alegria

No asfalto espelhado

Pinga-respinga- pinga

Guarda-chuvas  embalados

Fazem um  balé surreal

Foge o mundo do real

Pra curtir a fantasia

Os pingos entoam  sons...

E bailam na ventania

Numa festa, em harmonia

Celebram a fina flor  - Poesia!




terça-feira, 1 de maio de 2012

Prenúncio de tempestade


A vida me espreita! Sinto um silêncio que quer me dizer coisas... “Um sussurro sem som onde a gente lembra do que nunca soube”, e talvez de coisas que não queira lembrar ou ouvir. É terrível ser espreitado. Mais terrível é sentir a iminência de algo que está por vir. Eu cantarolo uma canção que fala de flores. As flores podem ser um talismã. Nada deveria afetar os que amam com a alma. Nada deveria tirar a paz dos que colocam o amor acima de tudo.

O dia está quente e pede uma atitude de lagartixa. Uma calma falsa para tudo em minha volta. Um turbilhão de pensamentos povoa minha cabeça em contraste com a paradeira do mundo. Nuvens carregadas denunciam que toda essa lentidão morna, esse estado de imobilidade é passageiro.

Rezo para Santa Bárbara. Quem sabe ela aplaque a tempestade que dentro de mim se instala. Que venha o céu abaixo! Mas, no meu peito, que se faça a calmaria. Que habite em mim aquelas certezas que geram a tranquilidade do coração e da alma! Estou só.

domingo, 29 de abril de 2012

Natureza Morta (By: Mary Ibanhes)

Chora a mata verdejante,
Gotas quentes de orvalho,
Gotas triste, tão tristes...
Olhar nebuloso
Olha o fogo,
Olha a motoserra
Estremece desamparada.
Medo, o homem mata,
O homem trai a vida...
A mata morre!
Não tem freio:
O fogo,
A motoserra.
É horrível morrer assim,
Sem que Deus queira.
Olha o barulho alucinante...
É muito quente, queima, queima...
É sim a motoserra,
O fogo.
Impiedosa, serra, serra.
Tomba mais um imponente
Mogno,
Seringueira, Suas famílias em extinção
Que dor! Ai, ai... Dói...
Dói profundamente
O estalido do fogo!
Escuta a motoserra.
Cai uma, bum... outra,
Tantas e tantas...
O exterminador da vida:
O homem!
As armas:
O fogo,
A motoserra!
Mata impunemente o homem,
Morre impune a verdejante mata.
O homem tosse, tosse...
Seus pulmões sufocam.
Respira carbono.
Louco procura, procura...
Oxigênio!!!

sábado, 28 de abril de 2012

O Circo (By: Mary Ibanhes)

O Circo (By: Mary Ibanhes)

Papai me levava ao circo
Eu me coloria de cores de:
Palhaços, malabaristas,
Equilibristas e domadores
Domadora eu sonhei um dia ser
Para domar as feras dentro de mim.
Não domei nada. Sou um animal selvagem!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Às vezes...

"Às vezes, eu choro olhando estrelas e bebendo a luz do luar. Às vezes, eu choro admirando o arco-íris e a íris do teu olhar. Às vezes, eu choro lendo versos e desenhando roseirais... Às vezes, eu choro dançando uma valsa ou escutando madrigais...Às vezes, eu choro com o sorriso de uma criança, lembrando a minha infância e 'os tempos que não voltam mais...'"