Açucena
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Conclusão em Só maior
Não digo mais de mim
Do que o silêncio
Que dizem meus olhos
Num esfacelamento que se fez minha morada
Vivo
Já não tenho pranto e a vida me evita
Fazer vivaz
Me pertubo de loucuras e lembranças
Para mim restou:
O sol maior da solidão latente
O amor nada mais diz de:
Sol lá si dó
O ré é meu retorno
Ao que que sempre fui
E continuo ser: só...
Do que o silêncio
Que dizem meus olhos
Num esfacelamento que se fez minha morada
Vivo
Já não tenho pranto e a vida me evita
Fazer vivaz
Me pertubo de loucuras e lembranças
Para mim restou:
O sol maior da solidão latente
O amor nada mais diz de:
Sol lá si dó
O ré é meu retorno
Ao que que sempre fui
E continuo ser: só...
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
O sertão em mim...
"Sertão é o sozinho... O Sertão é sem lugar... O sertão é dentro da gente..." (G. Rosa). Eu estou tão sertão hoje, pra dentro, nos confins, matutando as travessias... Estou no meio dos chapadões, abispando as macambiras e olhando o azul ofuscante... Eu quase pastoreio os silêncios - todos os silêncios... Minha alma é sertão - jagunceia horizontes, mata tristezas e quer impor sua lei...
Sem pena
"Eu quero só terminar um poema... Sem musa, sem esquema... Eu quero só sair do dilema de escrever um poema sem rima e sem pena... Preciso fazer um poema escrito com uma simples caneta bic... Mas não consigo bicar os versos..."
sábado, 16 de julho de 2011
Um poema de amor
Louca, louca sim, porque fiz do amor minha maior riqueza...
E nada importa mais que o profundo brilho dos teus olhos
Onde tento refletir a intensidade do amor que sinto
Na tua presença, sou névoa dissolvida em mil langores
Sou sonho que não te quer saudade
Sou "redemoinho de sol" que te aquece o frio...
Quando longe, entre nossos olhares que se cruzam
Passa uma longa estrada, mas entre mim e o que penso
Há bandeiras coloridas que anunciam tua chegada
Quando chegas é sempre primavera em meus olhos fechados
Poesia luzente num toque que me acorda de tua espera
Lá fora, rios, pássaros e sóis festejam esse encontro
E nada há no mundo de triste ou de só
Porque teu gesto toca em todas as minhas sinfonias
E o meu ritmo cavalga junto ao teu, noite adentro
Iluminando as trevas de qualquer dor
Porque nos teus lábios entrego minha alma...
Mas sem querer saber de nós a manhã desce...
Dizendo que as horas não esperam...
Mas não importa, porque somos a mais linda metáfora de amor
Eternizada no livro da vida, onde a história sempre principia
E eu sei que logo te encontrarei na próxima página...
E nada importa mais que o profundo brilho dos teus olhos
Onde tento refletir a intensidade do amor que sinto
Na tua presença, sou névoa dissolvida em mil langores
Sou sonho que não te quer saudade
Sou "redemoinho de sol" que te aquece o frio...
Quando longe, entre nossos olhares que se cruzam
Passa uma longa estrada, mas entre mim e o que penso
Há bandeiras coloridas que anunciam tua chegada
Quando chegas é sempre primavera em meus olhos fechados
Poesia luzente num toque que me acorda de tua espera
Lá fora, rios, pássaros e sóis festejam esse encontro
E nada há no mundo de triste ou de só
Porque teu gesto toca em todas as minhas sinfonias
E o meu ritmo cavalga junto ao teu, noite adentro
Iluminando as trevas de qualquer dor
Porque nos teus lábios entrego minha alma...
Mas sem querer saber de nós a manhã desce...
Dizendo que as horas não esperam...
Mas não importa, porque somos a mais linda metáfora de amor
Eternizada no livro da vida, onde a história sempre principia
E eu sei que logo te encontrarei na próxima página...
sábado, 7 de maio de 2011
A João Cabral de Melo Neto
Eu vi um homem
Que era pedra,
Que era cana,
Que era rio
Eu vi um rio
Cheio de pedra
Que olhava o homem
Que aguava
Como a cana
Cheia de água
Mais que o rio
Eu vi uma pedra
Que refletia a luz do sol
E desejava água no rio
Porque o homem
Chupava a cana
Que respingava
Água na pedra
Água no rio
Eu vi a cana
Que derretia na
Boca do homem
Que parecia
Ter uma pedra no coração
E no seu caminho
Mas esse homem
Não era pedra
Não era cana
Não era rio
Era a canção dessa emoção
Que traz a pedra, a cana e o rio.
By: Mary Ibanhes
Tragada pelo “vulcão”
Tragada pelo “vulcão”
A melancolia do vulcão, um romance de Edgar Cézar Nolasco, lançado em Campo Grande , dia 21 Junho de 2006, na Morada dos Baís. È um título que me deixou intrigada, principalmente porque toda vez que vou me referir a ele, num recorrente ato falho, falo a fúria do vulcão.
Esse ato falho, talvez, ocorra devido à forte impressão que me causou a obra, pois fui tragada por ela, completamente, em uma tarde de domingo, ou seja, eu me abismei na fúria desse vulcão onde tudo que sobrou foi a melancolia e a certeza de que “a vida é mesmo inexorável”.
Piglia diz, em sua obra Três propostas para o próximo milênio, que “la literatura muestra que hay acontecimentos que son muy difíceles, casi imposibles de transmitir y suponen uma relación nueva com los limites del lenguaje”. Nolasco, ao travar um diálogo com vozes como as de Virgínia Woolf e Clarice Lispector, inscreve o limite de sua própria escritura, tal como as escritoras que sempre escreveram num limite.
Seus personagens narradores vivem no limite da vida tentando narrar a morte, cada um a sua maneira. A polifonia de vozes tentando narrar o inenarrável, o que só tornou-se possível, diante dessa relação limítrofe que o escritor engendrou com a linguagem, como sugere Piglia.
O texto em si é abismal, tanto por sua metalinguagem e diálogos com vozes outras da tradição literária, como pela escorregadia mudança de narradores, a vida é mesmo um grande deslize no tobogã que leva, inevitavelmente, à morte, cedo ou tarde. Isso é terrível, mas é a única verdade, a única certeza, o resto, como acredita Minta, “são só desejos”, são eles que nos alimentam e nos fazem seguir até morrer.
Foi assim que fui devorada pelo emaranhado de vozes que jorram perigosas lavas e trazem consigo a representação da perda, da morte e da dor. Vi-me ali, diante do abismo, pois parece que cada página do livro espelha a dor que sentimos frente à perdas irreparáveis, pois ela, a dor, essa mesma inominável, está lá, impressa em cada lava desse vulcão, assim como perpassa a alma e, sem que queiramos, deforma os nossos rostos. Nolan, o personagem escritor, tem razão, “a morte envelhece as pessoas”. É assim que nos sentimos diante de uma perda, velhos, marcados. Eu nunca tinha lido nada que traduzisse tão bem esse estado, como A melancolia do vulcão. É preciso, apenas estar alerta para não sucumbir ao abismo total da narrativa múltipla que me parece tão traiçoeira como a própria morte que narra.
Por: Maria de Lourdes G. de Ibanhes (Mary Ibanhes)
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